quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Era uma vez uma Princesa
Essa é a história de uma menina que nasceu para ser princesa.
Ela era de uma família tradicional, que gostava de tudo nos conformes.
Bem criada, com todos os ensinamentos de educação e princípios, ela seguia à risca tudo que lhe foi ensinado. Não gritava, não conversava na hora das refeições, não falava palavrões, seu comportamento era exemplar.
Seu choro era encolhido. Não havia soluços, eram apenas lágrimas que corriam pelo rosto.
Seu timbre era baixo. Gritar era algo repugnante demais para quem desejava um dia ser princesa.
Seu sorriso era tímido. Uma princesa precisava estar sempre com cara de paisagem, não poderia jamais ser tão expressiva.
A raiva era um sentimento que não poderia existir. Perdoar significava ser nobre.
E a aprendiz de princesa seguia achando tudo muito lindo.
Ela não entendia muito bem a razão de todas aquelas regras, mas achava bonito ser princesa.
Até que um dia, sentiu a dor causada pela maldade no coração das pessoas e chorou pela primeira vez um choro com soluços que lhe fez tremer até as vísceras. E por mais contraditório que seja, a sensação era de alívio. Foi como gritar tudo o que estava engasgado durante todo esse tempo em que se preparou para ser princesa. E foi bom gritar. Foi bom extravasar suas emoções encolhidas.
A futura princesa nunca se sentiu tão viva, tão real, tão mortal. E ela gostou disso. Viu que ser mortal era bem mais excitante que ser princesa. E tudo o que um dia achou lindo, passou a ser chato e sem graça. Foi quando ela tomou a decisão mais importante da sua vida: Desistiu do sonho de ser Princesa e virou Mulher.
Uma mulher que chora e assume suas lágrimas.
Mulher de sorriso aberto, sem pudor.
Uma mulher de coração livre, em que é permitido qualquer paixão.
Mulher de olhar firme e claro, em que se calar a voz, os olhos são capazes de conversar.
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Um comentário:
Lindooo! Emocionante.
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