segunda-feira, 24 de junho de 2013
O maior dos nossos silêncios
Como era de costume, depois de um tempo sem aparecer, uma mensagem típica: "preciso te ver!" Sempre gostei do seu jeito simples e direto de tratar os assuntos. Aliás, é uma das razões por eu ter permanecido aqui. Porque eu sabia que por mais que soasse frio ou até mesmo agressivo, eu sabia que ali residia a sua honestidade. Sem firulas e sem excessos. A objetividade que seu trabalho exige moldando seu agir. E o meu corpo cheio de saudade já se contorcia só de imaginar suas necessidades. Mas ao te encontrar, aquele seu olhar lateralizado e seu jeito de morder o lábio superior da sua boca, deixou claro que tinha algo de muito errado acontecendo. Reconhecemos nossos sinais. Minha voz tremeu ao dizer que tinha bastante tempo pra te ouvir. E você sentou do meu lado, ficou segurando minha mão com uma força que senti um tremor de medo percorrer pelo meu corpo. E devagar, como quem quer fazer o tempo parar, encostou a cabeça no meu ombro e mesmo sem saber o que estava acontecendo, tive vontade de chorar. Então, conhecedor das minhas fraquezas, você disse que esperava que eu não me acostumasse com a monotonia de quem tem medo de sofrer. Tirou da jaqueta um envelope branco e com os olhos baixos ficou esperando que eu o pegasse de sua mão. Devo ter demorado um minuto inteiro pra entender que estava lendo o convite do seu casamento. Apesar do choque, tive força pra te dar um abraço apertado, daqueles que a gente não diz nada, mas todas as palavras são audíveis. Porque de fato eu quero a sua felicidade como quem deseja algo pra si mesmo. E ficamos ali por horas, choramos a seco por tudo que poderia ser e gritamos calados por tudo que sempre preferimos silenciar.
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